Performance: vale tudo por resultados?

Performance: vale tudo por resultados?
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Acorde mais cedo, durma mais tarde, produza 18 horas em dias que tem 24 disponível. Em tempos de pandemia e home office, tem se tornado comum uma cultura de performance, onde as pessoas se cobram e cobram outras por sempre mais resultados, em menos tempo, e como se isso fosse motivo de orgulho.

Nossas escolhas implicam responsabilidade, planejamento e risco. E também oportunidade. Se você está insatisfeito ou vive angustiado com o trabalho, precisa refletir. Tantas vezes é o ambiente profissional (in loco ou remoto) que faz mal à saúde.

O curioso disso é a inversão de valores, a alguns anos atrás trabalhar menos e melhor, era sinônimo de qualidade e crescimento profissional, e hoje em dia, pregam que mais trabalho é o objetivo. Entendo que muitas vezes aceitamos certas condições por causa do retorno financeiro, que nem é tão bom assim, mas é melhor do que não te-lo, ou no pior dos casos aceitamos tais condições pela insegurança de perdermos renda ou oportunidade, mas estamos colocando em jogo nossa saúde e sanidade mental:

Entre as síndromes ocupacionais mais citadas na atualidade está o burnout. Falamos de uma condição já incluída na nova classificação internacional de doenças (CID), com entrada oficial a partir de janeiro de 2022. Ela se refere a um estado de exaustão vital relacionado ao trabalho. O termo foi criado pelo psicólogo alemão Herbert Freudenberger, ele mesmo vítima do problema.

As vezes ficamos até constrangidos em tirar horas de descanso ou ócio. Já me peguei me cobrando por querer tirar duas horas livre em plena segunda-feira, afinal tanta coisa para terminar, pessoas para responder, tenho que performar não é mesmo? Deixamos de trabalhar para viver, para agora viver de trabalhar, e ainda glorificamos isso como algo bom.

Pesquisas demonstram que 33% dos trabalhadores brasileiros padecem de burnout. Outros levantamentos, citados pelo International Stress Management Association/Isma-BR, apontam que até 70% da população possa ser atingida pela síndrome, que tem um forte impacto no desempenho de empresas e órgãos públicos.

O aumento significativo a cada ano está ligado a condições de trabalho cada vez mais competitivas e os próprios tabus e preconceitos que cercam a busca por tratamento. Muita gente ainda teme ser “rotulada” no escritório e perder reconhecimento, salário ou emprego. Em larga escala, esse fenômeno faz com que não só as pessoas mas a instituição adoeça junto.

E quais os sinais do burnout? Desinteresse pelo trabalho, falta de concentração crônica, baixa autoestima, lapsos de memória, irritabilidade, insônia, fadiga, desânimo, dores pelo corpo… Perceber os indícios da síndrome permite procurar ajuda dentro ou fora da empresa. Não é raro que o local de trabalho também precise de tratamento.

Em tempos de quarentena, mesmo o esquema de home office pode contribuir para insatisfação, ansiedade e burnout. Pressão, ambiente inadequado e a continuidade das dificuldades vivenciadas no emprego nem sempre são resolvidos com distância do escritório.

Nenhum trabalho vale a pena, se o preço a ser pago é a saúde, a paz de espirito ou a diversão e alegria em fazer algo. Sei que é difícil, já que as contas estão ai, a insegurança nos consome, e a ansiedade nunca foi tão alta por resultados. Entretanto, nunca podemos deixar de lado o objetivo de que qualidade e crescimento profissional, é conseguir menos horas de trabalho para aproveitarmos e vivermos nossa vida fora dele.

Trechos em destaque do texto, foram escritos por Karina Uchôa: advogada, consultora da RGL Advogados e pesquisadora na área de qualidade de vida no trabalho.

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