Artes Liberais e as Artes Mecânicas
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Aprender como um homem livre ou como um homem servo?

Para os homens trabalhadores: Quem, atualmente, quer fazer o seu estudo das coisas morais abre-se a um enorme campo de trabalho. Deve refletir uma a uma todas as categorias de paixão, buscá-las através de tempos e dos povos, dos indivíduos grandes e pequenos; todas as suas razões, a sua escala da valores e classificações das coisas que devem ser trazidas à luz! Até hoje, nada do que cor à existência possuía ainda a sua história: caso contrário, onde está a história do amor, da cupidez, da inveja, da consciência, da piedade, da crueldade? […], Algumas vez já se fez um estudo das diversas divisões do dia, das consequências de um programa regular do trabalho, das festas e do repouso? […] Mostrou-se já a dialética do casamento e da amizade? Os costumes dos sábios, dos comerciantes, dos artistas e dos artesãos, encontram já o seu pensador? Existe tanta matéria aqui a pensar! Alguma vez já se estudou até ao fim aquilo que o homem considera até aqui como as suas “condições de existência”?

As Artes liberais é o termo que define uma metodologia de ensino, organizada na Idade Média, cujo conceito foi herdado da antiguidade clássica. Contemporaneamente, o conceito de artes liberais denotam a formação multidisciplinar visando a formação plena, sem necessariamente ser profissionalizante. Referem-se aos ofícios, disciplinas acadêmicas ou profissões (“artes”) desempenhadas pelos homens livres. São compostas do Trivium (lógica, gramática, retórica) e do Quadrivium (aritmética, música, geometria, astronomia). Tal conceito foi posto em oposição às Artes Mechanicae (artes mecânicas), consideradas próprias aos servos ou escravos.

A personificação das Sete Artes Liberais (Trivium et Quadrivium) foi um tema iconográfico muito comum nas artes medieval e moderna.

as Artes Mecânicas (em latim: Artes Mechanicae) são conceitos medievais de práticas e habilidades ordenadas, frequentemente justapostas com as tradicionais Artes Liberais. Também conhecidas como “servil” e “vulgar”, desde a Antiguidade elas foram consideradas impróprias para os homens livres, por ministrar as necessidades mais básicas.

João Escoto Erígena (810, Irlanda — 877, Paris) as dividiu um tanto arbitrariamente em sete partes:

  • Vestiaria (alfaiataria, tecelagem);
  • Agricultura;
  • Architectura (arquitetura, alvenaria);
  • Militia e Venatoria (vida militar e caça, educação militar e artes marciais);
  • Mercatura (comércio);
  • Coquinaria (culinária e gastronomia);
  • Metallaria (ferraria, metalurgia);

Em sua obra intitulada “Didascalion”, Hugo de São Vitor (1096–1141) incluiu navegação, medicina e artes teatrais ao invés de comércio, agricultura e culinária. O tratado de Hugo elevava um pouco as artes mecânicas como ordenadas para o desenvolvimento da humanidade; uma promoção que representava uma tendência crescente ao longo dos últimos séculos da Idade Média.

A classificação das artes mecânicas como geometria aplicada foi introduzida na Europa Ocidental por Domingo Gundisalvo (século XII) sob a influência de seus estudos do conhecimento árabe.

No século XIX, as artes mecânicas referiam-se aos campos de estudos, nos quais, alguns são atualmente conhecidos como engenharias. O uso do termo foi aparentemente uma tentativa de distinguir esses campos dos empreendimentos criativos e artísticos, como as artes do espetáculo e das artes plásticas que estavam para os intelectuais e as classes mais altas da época. As artes mecânicas eram também consideradas campos práticos por aqueles que não vieram de famílias de classes sociais mais ricas.


E você? Tem estudado apenas como um homem servo, ou como um homem livre?


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